A nostalgia não pára de aumentar. Momentos que nunca mais voltaremos a viver…
Nunca fui uma pessoa de ficar agarrada ao passado e sempre olhei demasiado para o futuro, com pressa que este chegasse. Hoje em dia, recordo o passado com alegria e com saudades, muitas saudades. Sei que voltarei a viver muitos bons momentos na companhia de quem me é especial, mas grande parte do que vivi antes, nunca mais voltarei a viver. Isto acontece a toda a gente, mas tem um impacto muito grande quando um dia temos consciência dessa realidade. Não basta apenas saber que o que vivemos nunca mais voltaremos a viver, pois isso é lógico para toda a gente, mas refiro-me a ter verdadeiramente consciência de que tudo mudou, as circunstâncias da vida são diferentes, nós estamos diferentes.
Nunca pensei que algum dia fosse sentir este peso, pois sempre imaginei que as descobertas que o futuro me reservava, fossem sobretudo alegres e cheias de esperança num novo futuro, mas infelizmente não se avança, se ficarmos agarrados ao que fomos e ao que vivemos um dia. Não tenho muito jeito para a escrita, mas apetece-me partilhar convosco a minha descoberta. Tudo é diferente agora, eu sou diferente, a minha vida é diferente. Tenho a certeza que vocês todos estão diferentes e a vossa vida também. Seguimos todos caminhos distintos, muitas vezes caminhos que não imaginávamos um dia seguir. E será que ao seguir estes caminhos, não nos afastaremos cada vez mais?
Posted by Mary on Setembro 30, 2009 at 5:20 pm
Olá
Entendo bem o que queres dizer. Por vezes, essa consciência atinge picos de “verdade” que causam um estanhamento tão grande… Tanto, que às vezes questionamos se aquilo que vivemos existiu mesmo… Existiu
Acho que é inevitável não sentirmos isto de vez em quando a partir de agora… Mas lá está, serve para darmos valor àquilo que persiste e se aguenta, mesmo à distância. Como a amizade, e/ou o invísivel aos olhos. Gosto muito de vocês. Muito mesmo. E por mais que haja coisas que não se repitam, há o “sentimento”. De estranhamento às vezes, é certo, mas real e “verdadeiro”. E há de ser sempre assim, mesmo que nãp nos vejamos como antes, minha suissinha
Desculpa estar a “puxar” a conversa para mim, mas temos de falar de nós, não é?
Pissaaaa
Até breve. Beijinho para os três*
Posted by suissinha on Setembro 30, 2009 at 8:58 pm
É exactamente isso… Neste momento posso dizer que estou a viver essa fase de estranhamento, talvez por apenas agora me ter apercebido da realidade. O que torna tudo mais complicado é que sinto isto em relação a muita gente, incluíndo tu. Mas eu sei que há pessoas que estarão sempre lá. Como já disseste um dia, podemos estar meses sem nos ver, e quando nos encontramos parece que estivemos juntas no dia anterior. O tempo não pesa na nossa amizade. E ainda bem!
Posted by Cristina on Outubro 1, 2009 at 9:14 am
Pois é que filosofia, e assim passamos a vida, questionando quem somos, o que estamos aqui a fazer, qual o nosso destino?!
Acho que perdemos muito tempo com estas questões de vida que não nos levam a lado nenhum pois segundo se diz o caminho da vida já está escrito, mas para chegar ao destino temos muito que passar com ou sem obstáculos.
Acima de tudo devemos viver dia a dia como se hoje fosse o último.
Beijinhos para ti e para o teu menino.
Cristina
Posted by Ana Ribeiro on Outubro 1, 2009 at 10:39 am
Sabes, isso é o síndroma de se ter filhos…Uma Bela Prisão, como eu costumo dizer. Bela, porque é uma das mais maravilhosas experiências e sempre com um retorno ainda maior. Mas não deixa de ser uma prisão, não no verdadeiro sentido da palavra, deixamos de pensar primeiro em nós. Aparentemente tudo fica igual, mas nada é igual. Os filhos são a nossa maior preocupação e sentido de vida. Aconteceu o mesmo quando tive a minha Inês, de repente comecei a pensar como é que tudo tinha passado tão rápido, parecia que o passado era um sonho…Mas ficou a Bela Recordação desse Sonho. Nunca vamos ser o que já fomos…e cada vez mais longe, conforme eles crescem. Mas é muito bom, ganhamos um novo Amigo quando eles crescem. Estou a adorar a experiência e cada vez mais à medida que ela cresce.
Gosto muito de Ti, vai escrevendo…
Até tens queda para escrever.
Beijos, Ana, Inês e Álvaro
Posted by suissinha on Outubro 2, 2009 at 12:06 pm
Às vezes pergunto-me se nos preocupamos para nada, como dizes, Cristina. Mas não consigo conceber que o meu caminho já esteja escrito e que não tenho escolha senão segui-lo. É mais forte do que eu. E se algum dia me conformar com essa ideia, é porque desisti de viver e contentar-me-ei em sobreviver. Eu sou assim, só estou bem a questionar tudo, nunca estou bem com o que tenho…Às vezes gostava de ser ignorante, pois há quem diga que a ignorância é a felicidade. Será?
Posted by José Manuel Sousa on Outubro 12, 2009 at 2:01 pm
…Não é novidade nenhuma o que vou escrever, mas pronto, lá vai…
“Nunca fui uma pessoa de ficar agarrada ao passado e sempre olhei demasiado para o futuro”…
Trata-se de uma frase com um certo antagonismo, na medida em que apenas conseguimos encarar e enfrentar o futuro quando as muletas do passado estão, de certa forma, sólidas.
Se nunca revivêssemos o passado, as mesmas asneiras seriam feitas e o sabor das novas alegrias não teriam o mesmo paladar, pois agora, uma extraordinária alegria tem de suplantar todas as que vivemos (e não é simples isto acontecer, é quase como magia – as verdadeiras alegrias colocam no canto do olho aquele feto de lágrima, o sabor do arrepio que invade o peito e a espinha…).
Além disso, como alguém disse (lamento, mas não me lembro quem!!): é irreversível o passar dos segundos que acumulam anos, agora o importante, é saber armazenar esses segundos, construir com eles uma montanha que sinta o calor do Verão e a ternura da neve do Inverno.
(Com isto já deixo um comment…. não te podes queixar )
José Manuel Sousa na companhia da sua amada Carmo.